Manifesto contra a “Lei Seca”
Não pretendia escrever mais posts sobre política, visto que é um assunto que sempre gera discuções perpétuas, difilmente levando à algum lugar. Enfim, este fim de semana me envolvi em uma discução a respeito da lei nº 11.705, a famosa “Lei Seca“, com um amigo meu. Achei que a conversa estava terminada, porém recebi um e-mail dele, embasando melhor seus argumentos a favor da lei. Logo resolvi parar e escrever este texto e embasar melhor os meus argumentos.
Sem a necessidade de dizer que sou inteiramente contra a lei, pretendo resumir ao máximo minha opinião para que isso não se torne um porre (desculpe o trocadilho) de ler.
Primeiramente gostaria de lembrar a todos, que anteriormente a esta lei, já existia uma lei coibindo os bêbados de dirigir, a lei nº 11.705 veio para alterar a lei nº 9.503 e a lei nº 9.294. Estas por sua vez, deveriam punir motoristas com mais de 6dg de alcool por litro de sangue, contra os 8dg/l de sangue (não suficientes para embebedar nem minha querida mamãe) aplicados em leis de paises como Estados Unidos e Canadá onde, embora maiores os limites, a lei é realmente aplicada. Lá, se o motorista é pego com um nivel maior que o permitido, ele realmente vai preso, não importando se tratar de um desconhecido ou um astro de Hollywood! Aqui, a lei “moralizadora” e draconiana irá apenas facilitar um pouco a propina do dia a dia dos policiais.
Tudo o que precisava ser feito, era manter as leis antigas, e adivinhem: APLICA-LAS! Mas não, nosso presidente molusco, e seu “parlamento”, preferiram tornar impossivel o consumo de qualquer quantidade de álcool, justificando com o argumento de não estarem em “perfeitas condições mentais” e que então teriam suas habilidades motoras reduzidas.
Pois bem, uma pessoa com sono também tem seus reflexos reduzidos, porém ainda não é crime ter sono. Uma mulher com TPM (supondo que isso realmente exista, e não seja um fenômeno social pós revolução sexual e queima de soutiens em 1968), também estaria “mentalmente auterada” e por tanto, incapacitada de dirigir. Assim como uma pessoa que acaba de perder um ente querido ou uma garota que acabou o namoro, tal qual um empresário que acabou de perder muito dinheiro, um estudante que repetiu de ano ou alguém que gostaria de tomar uma cerveja, mais está impossibilitado por um governo rumando para o totalitarismo.
Todos os povos do planeta, mesmo sem contato com outros, descobriram meios de destilar e fermentar sua própria bebida. A bebida alcoolica é, historicamente parte da sociedade em festas, celebrações, encontros. A bebida alcoolica é um sinônimo de alegria, mas nosso molusco presidente, e ébrio por natureza, acha que tem o direito de julgar errado tomar uma cerveja com os amigos! Nosso estado “laico” caminha cada vez mais para a sociedade moralista e sóbria que as religiões estão domesticando deste os pimórdios de nossa civilização.
Outro ponto importante, é o fato de se tratar de uma lei elitista, beneficiando os que podem pagar por motoristas particulares ou taxis, visto que nosso sistema de transporte público não nos deixa na porta de casa as 03:00 da manhã; melhor ainda, não nos deixa em lugar algum. O happy hour depois do trabalho, está reservado aos monetariamente e socialmente “superioes“. O vinho com a namorada, somente reservado aos playboyzinhos que estão com o motorista esperando na porta do D.O.M restaurante tomando um porre de Don Pérignon. Já os mais desprovidos este “direito” terão que, ou se privar do passeiro e comer uma pizza em casa, ou arrumar um modo de burlar a lei, tornando-se assim um, adivinhem: criminoso!
Agora chega a hora de fazer a parábola óbvia: A Lei seca de 1919 a 1933, que aconteceu nos Estados Unidos [FONTE AQUI]. Sendo o Brasil um pais dentro da área de influência e segue padrões americanos, é fácil imaginar que seguiremos o mesmo erro aqui também. Basicamente o que aconteceu foi o seguinte: Os americanos foram proibidos de beber, queriam continuar bebendo, apareceram as quadrilhas que davam um jeito de arrumar a bebida e a corrupção cresceu, fortalecendo as quadrilhas. No Brasil, em vez que quadrilhas, teremos policiais recebendo propina, obviamente longe dos holofotes das blitzes cinematográficas que aparecem por ai vez ou outra, mas numa batida policial parão, longe das câmeras, longe da crítica , longe do publico… lá nos bastidores deste grande teatro chamado Brasil.
Parece que todos teremos mesmo que andar as margens da sociedade, e arrumar um modo de burlar a lei, como um advogado por ai fez. Entrou com uma ação e “argumentou também que há anos foi aconselhado pelo médico a ingerir pequena quantidade de vinho todos os dias, que seria benéfico à sua saúde, mas o colocaria sob risco de enfrentar problemas com a fiscalização policial. “Quando a lei entrou em vigor, deixei esse hábito de muitos anos e meu organismo sentiu falta dessa pequena dosagem de álcool”, disse ele, em sua petição.” [FONTE AQUI].
Outro ponto que vale ser citado, é o fato de nenhum cidadão ser obrigado a gerar provas contra si próprio. Logo o Etilômetro (vulgo bafômetro) não deveria ser utilizado.
Então o que temos até agora? Uma lei que propicia a corrupção, que não poderá ser auterada, visto que irá aumentar ainda mais os acidentes, já que as pessoas começariam a beber ainda mais depois da hipotética queda da lei. O mesmo já aconteceu neste carnaval, onde devido a falta de fiscalização nas estradas, houve um aumento de 20% (tenho certeza que em alguma fonte eu tinha lido 200%) nos acidentes em relação ao ano de 2008.
O mais engraçado, é como os meios de comunicação de massa nos mostra como está tuso melhorando depois da lei. “Depois da Lei Seca, atendimentos do Samu caem 20% em Curitiba“, dizia uma manchete. Sim, Curitiba, cidade que tem 1.828.092 habitantes [FONTE] contra os 19.223.897 habitantes de São Paulo [FONTE]! Uma cidade muito menor, e por consequência muito mais simples de controlar, e formada basicamente por decendentes de alemães, poloneses, ucranianos e italianos, povos conhecidos por suas práticas etílicas. Sendo assim, são pessoas que sabem beber, e conviver com a bebida. Bem fácil dizer que a lei está funcionando, não é?
Infelizmente, quem defente a viabilidade e aplicação desta lei, já está tão corrompido pela midia e pela sociedade, a ponto de não ver que esse fato isolado se enquadra dentro de um problema bem maior! Explico: Primeiro não podemos mais fumar em locais públicos, depois não podemos mais beber, agora não podemos mais consumir gordura transgênica (viva a batata frita murcha!!!). Todos assistem o mesmo canal de televisão (leia-se GLOBO), logo todos tem as mesmas opiniões, lêem as mesmas revistas (leia-se veja e época). Todos ouvem as mesmas “músicas“, assistem os mesmos filmes, as mesmas séries de TV, lêem os mesmos best-sellers que compram na mesma loja (leia-se Saraiva)! Dificil enxergar como isso ruma para um governo totalitário? Que me lembre, os governos totalitários que existiram no mundo não foram os mais confortáveis para a população, porém todos estaram tentando “proteger a sociedade”). Eric Arthur Blair (a.k.a George Orwell) que o diga. Para quem não sabe quem é, ele foi o escritor de 1984 (escrito em 1948, sacaram?) livro onde aparece pela primeira vez o conceito do “Grande Irmão“. Não sabem o que é? Ué mais não assistem o BBB, o Big Brother da Globo?
Espero ter passado meu ponto de vista, a área de comentários está aberta para discuções.
Agora com licença, irei tomar uma dose de Jack Daniel´s para relaxar…
Lutando por justiça e um mundo livre,
Newton Uzeda




O seu artigo sobre a Lei Seca me lembrou uma letra de Carlos Lyra:
” Fica proibido o amor e a amar
Fica proibida toda a exibição
Fica proibido olhar pro alto
E fica proibido olhar pro chão
O cão que ladra tem qyue ser punido
Rosto pintado não permito não
E conversinha de rapaz com moça
Só com severa fiscalização
Fica proibido tudo que não for
Expressamenre permitido
E por fim
Fica proibida qualquer proibição
Não proibida por mim.
O mim, foram os presidentes militares, o AI 5 e nos momentos atuais o Srº Da Silva. Chico, Caetano, Lyra e tantos outros foram proibidos e hoje, os q
que proibiram foram ultrapassados, atropelados, massacrados pelo desconhecimento; não se ensina, proibindo. Neste caso, não é a plebe ignara, mas nossos governantes.