O que é Arte?

2007 May 17
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by Newton Uzeda

Lá vou eu mais uma vez…

Estava brincando na internet enquando esperava por um interminável atendimento on-line (daqueles que você fica ouvindo música, acho que é para as pessoas que não tem rádio, sei lá)
quando me deparo com a seguinte imagem:

Oak Tree

Aquele papel em baixo da foto, é uma entrevista com o “artista“, segue a entrevista traduzida:

Pergunta:
Para começar, você poderia descrever este trabalho?

Resposta:
Sim, claro. O que fiz foi transformar um copo d´água em um carvalho adulto, sem alterar as características do copo d´água.

Pergunta:
Características?

Resposta:
Sim, a cor, a sensação, o peso, o tamanho…

Pergunta:
Você quer dizer que o copo d´água é um símbolo de um carvalho?

Resposta:
Não. Não é um símbolo. Eu transformei a substância física do copo d´água em um carvalho.

Pergunta:
Mas se parece com um copo d´água.

Resposta:
Claro que se parece. Eu não mudei sua aparência. Mas não é um copo d´água, é um carvalho.

Pergunta:
Você pode provar o que você afirma ter feito?

Resposta:
Bem… Sim e não. Eu afirmo ter mantido a forma física do copo d´água, e como você pode ver, eu mantive.
No entanto, como normalmente procurarmos por evidências da mudança física em termos de alterar a forma, não existe prova para isso.

Pergunta:
Não teria você simplesmente chamado o copo d´água de carvalho?

Resposta:
Claro que não. Já não é mais um copo d´água.
Eu transformei sua real essência. Chamar isso de um copo d´água já não é mais correto. Qualquer um pode chama-lo do que bem entender, mas isso não vai alterar o fato de ser um carvalho.

Pergunta:
Isto não é igual a história da “Roupa Nova do Emperador“?

Resposta:
Não. Na história da roupa do rei, as pessoas afirmavam ver algo que não existia. Eu ficaria muito surpreso se alguém me dissesse que isto é um carvalho.

Pergunta:
Foi difícil fazer a transformação?

Resposta:
Não, não foi difícil. Mas custou anos de trabalho antes de perceber que poderia fazê-lo.

Pergunta:
Quando exatamente o copo d´água se tornou um carvalho?

Resposta:
Quando eu coloquei a água no copo.

Pergunta:
Isso acontece sempre que você enche um copo d´água?

Resposta:
Não, claro que não. Apenas quando eu tenho a intenção de transforma-lo em um carvalho.

Pergunta:
Então é a intenção que faz a transformação?

Resposta:
Eu diria que é um começo.

Pergunta:
Você não sabe como fazer?

Resposta:
Isso contradiz o que sinto e o que sei sobre causa e efeito.

Pergunta:
Parece que você afirma ter feito um milagre. É isso mesmo?

Resposta:
Estou lisonjeado que você pense assim.

Pergunta:
Mas, você não seria a única pessoa que pode fazer algo assim?

Resposta:
Como eu poderia saber?

Pergunta:
Você poderia ensinar isto para outras pessoas?

Resposta:
Não, não é algo que eu possa ensinar.

Pergunta:
Você considera que a transformação do copo d´água em um carvalho constitui uma obra de arte?

Resposta:
Sim

Pergunta:
O que exatamente é a obra de arte? O copo d´água?

Resposta:
Não existe mais um copo d´água

Pergunta:
O processo de transformação?

Resposta:
Não existe nenhum processo na transformação.

Pergunta:
O carvalho?

Resposta:
Sim, o carvalho.

Pergunta:
Mas o carvalho só existe na imaginação?

Resposta:
Não. Na verdade o carvalho está fisicamente presente, mas na forma de um copo d´água. Assim como um copo d´água é um copo d´água, um carvalho também é um carvalho.
Assimilar categoricamente um carvalho ou imaginar um carvalho em especial, não é o mesmo que compreender o que parece ser um copo d´água como um carvalho.
Isto é tão imperceptível quanto inconcebível.

Pergunta:
Este carvalho em especial existiu de verdade em algum lugar antes de se transformar em copo d´água?

Resposta:
Não. Este carvalho em especial nunca existiu antes. Também devo afirmar que ele nunca teve nem nunca terá outra forma além do copo d´água.

Pergunta:
Por quanto tempo isto continuará sendo um carvalho?

Resposta:
Até que eu o mude.

Agora me pergunto: Será isso mesmo arte? Será que o fulado que me coloca uma cadeira no meio de um palco, fez arte? Será que os Rappers e os Funckeiros merecem ser chamados de artistas? E o fulado que me pinta telas de branco ou preto e espera que alguém veja algum significado, é um artista?

Realmente acredito que esses caras colocam essas “obras” em exposição somente para ver se as pessoas “pseudo-intelectuais” vão achar algum significado. E o que acontece? As pessoas para não passarem por burras na frente dos outros “pseudo-intelectuais“, dão respostas e significados tão vagos quanto uma cartomante. Isto é o infinito, ou isto é a essencia do ser, ou ainda uma que eu ouvi assistindo History of Violence
(Marcas da Violência, David Kronenberg): “Este filme é Amarelo!”

Realmente as pessoas tem essa necessidade de se mostrar tão cultas e inteligentes, que não se dão conta do ridículo que estão passando?

Voltando em minha época de colégio(Pueri DomusVerbo Divino), certa vez tive que criar algo como uma “arte conceitual” de um modo que alterasse o ambiente da escola. Depois de muito pensar, eu e meu amigo Luiz Paulo(Hoje Luiz Oak -Curioso falar dele neste texto que temos uma Árvore de Carvalho-), achamos uma porta velha que levamos em uma marcenaria e pedimos para o marceneiro coloca-la de pé em alguma estrutura. Colocamos nossa “obra de arte” no meio de um corredor dentro da escola, para atrapalhar a passagem mesmo. Resultado? Tiramos 10, pois alguém lá interpretou que a porta era uma entrada para o conhecimento e para os estudos e sei lá mais o que… Arte? Tire suas próprias conclusões.

Agora eu vou na cozinha pegar um copo d´agua e rezar para ele não se transformar em uma árvore no meio de minha cozinha

Newton Uzeda

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