O que é Arte?
Lá vou eu mais uma vez…
Estava brincando na internet enquando esperava por um interminável atendimento on-line (daqueles que você fica ouvindo música, acho que é para as pessoas que não tem rádio, sei lá)
quando me deparo com a seguinte imagem:

Aquele papel em baixo da foto, é uma entrevista com o “artista“, segue a entrevista traduzida:
Pergunta:
Para começar, você poderia descrever este trabalho?Resposta:
Sim, claro. O que fiz foi transformar um copo d´água em um carvalho adulto, sem alterar as características do copo d´água.Pergunta:
Características?Resposta:
Sim, a cor, a sensação, o peso, o tamanho…Pergunta:
Você quer dizer que o copo d´água é um símbolo de um carvalho?Resposta:
Não. Não é um símbolo. Eu transformei a substância física do copo d´água em um carvalho.Pergunta:
Mas se parece com um copo d´água.Resposta:
Claro que se parece. Eu não mudei sua aparência. Mas não é um copo d´água, é um carvalho.Pergunta:
Você pode provar o que você afirma ter feito?Resposta:
Bem… Sim e não. Eu afirmo ter mantido a forma física do copo d´água, e como você pode ver, eu mantive.
No entanto, como normalmente procurarmos por evidências da mudança física em termos de alterar a forma, não existe prova para isso.Pergunta:
Não teria você simplesmente chamado o copo d´água de carvalho?Resposta:
Claro que não. Já não é mais um copo d´água.
Eu transformei sua real essência. Chamar isso de um copo d´água já não é mais correto. Qualquer um pode chama-lo do que bem entender, mas isso não vai alterar o fato de ser um carvalho.Pergunta:
Isto não é igual a história da “Roupa Nova do Emperador“?Resposta:
Não. Na história da roupa do rei, as pessoas afirmavam ver algo que não existia. Eu ficaria muito surpreso se alguém me dissesse que isto é um carvalho.Pergunta:
Foi difícil fazer a transformação?Resposta:
Não, não foi difícil. Mas custou anos de trabalho antes de perceber que poderia fazê-lo.Pergunta:
Quando exatamente o copo d´água se tornou um carvalho?Resposta:
Quando eu coloquei a água no copo.Pergunta:
Isso acontece sempre que você enche um copo d´água?Resposta:
Não, claro que não. Apenas quando eu tenho a intenção de transforma-lo em um carvalho.Pergunta:
Então é a intenção que faz a transformação?Resposta:
Eu diria que é um começo.Pergunta:
Você não sabe como fazer?Resposta:
Isso contradiz o que sinto e o que sei sobre causa e efeito.Pergunta:
Parece que você afirma ter feito um milagre. É isso mesmo?Resposta:
Estou lisonjeado que você pense assim.Pergunta:
Mas, você não seria a única pessoa que pode fazer algo assim?Resposta:
Como eu poderia saber?Pergunta:
Você poderia ensinar isto para outras pessoas?Resposta:
Não, não é algo que eu possa ensinar.Pergunta:
Você considera que a transformação do copo d´água em um carvalho constitui uma obra de arte?Resposta:
SimPergunta:
O que exatamente é a obra de arte? O copo d´água?Resposta:
Não existe mais um copo d´águaPergunta:
O processo de transformação?Resposta:
Não existe nenhum processo na transformação.Pergunta:
O carvalho?Resposta:
Sim, o carvalho.Pergunta:
Mas o carvalho só existe na imaginação?Resposta:
Não. Na verdade o carvalho está fisicamente presente, mas na forma de um copo d´água. Assim como um copo d´água é um copo d´água, um carvalho também é um carvalho.
Assimilar categoricamente um carvalho ou imaginar um carvalho em especial, não é o mesmo que compreender o que parece ser um copo d´água como um carvalho.
Isto é tão imperceptível quanto inconcebível.Pergunta:
Este carvalho em especial existiu de verdade em algum lugar antes de se transformar em copo d´água?Resposta:
Não. Este carvalho em especial nunca existiu antes. Também devo afirmar que ele nunca teve nem nunca terá outra forma além do copo d´água.Pergunta:
Por quanto tempo isto continuará sendo um carvalho?Resposta:
Até que eu o mude.
Agora me pergunto: Será isso mesmo arte? Será que o fulado que me coloca uma cadeira no meio de um palco, fez arte? Será que os Rappers e os Funckeiros merecem ser chamados de artistas? E o fulado que me pinta telas de branco ou preto e espera que alguém veja algum significado, é um artista?
Realmente acredito que esses caras colocam essas “obras” em exposição somente para ver se as pessoas “pseudo-intelectuais” vão achar algum significado. E o que acontece? As pessoas para não passarem por burras na frente dos outros “pseudo-intelectuais“, dão respostas e significados tão vagos quanto uma cartomante. Isto é o infinito, ou isto é a essencia do ser, ou ainda uma que eu ouvi assistindo History of Violence
(Marcas da Violência, David Kronenberg): “Este filme é Amarelo!”
Realmente as pessoas tem essa necessidade de se mostrar tão cultas e inteligentes, que não se dão conta do ridículo que estão passando?
Voltando em minha época de colégio(Pueri Domus – Verbo Divino), certa vez tive que criar algo como uma “arte conceitual” de um modo que alterasse o ambiente da escola. Depois de muito pensar, eu e meu amigo Luiz Paulo(Hoje Luiz Oak -Curioso falar dele neste texto que temos uma Árvore de Carvalho-), achamos uma porta velha que levamos em uma marcenaria e pedimos para o marceneiro coloca-la de pé em alguma estrutura. Colocamos nossa “obra de arte” no meio de um corredor dentro da escola, para atrapalhar a passagem mesmo. Resultado? Tiramos 10, pois alguém lá interpretou que a porta era uma entrada para o conhecimento e para os estudos e sei lá mais o que… Arte? Tire suas próprias conclusões.
Agora eu vou na cozinha pegar um copo d´agua e rezar para ele não se transformar em uma árvore no meio de minha cozinha…
Newton Uzeda



